A PERUADA
A Peruada: a festa mais irreverente das Arcadas
No coração do centro histórico de São Paulo, todo ano na terceira sexta-feira de outubro, o Largo de São Francisco vira palco de uma das tradições universitárias mais emblemáticas do Brasil. A Peruada, festa organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP, vai muito além de uma simples comemoração estudantil: é um rito de passagem, uma declaração política e um carnaval fora de época que já marcou gerações de juristas.
Das origens ao folclore
A origem da Peruada até hoje é um mistério, cada franciscano conhece a Peruada de uma forma diferente, a versão mais famosa, e mais saborosa, é a de que em 1948, 33 alunos da SanFran furtaram perus premiados que pertenciam ao professor Mário Marzagão, que lecionava na própria faculdade. Esses animais haviam sido premiados na Exposição Nacional de Animais do Parque da Água Branca. Conta a lenda que os estudantes convidaram o próprio dono dos animais para um jantar, no qual cozinharam e serviram os Perus do professor e ele degustou garfada à garfada sem perceber a peça que lhe haviam pregado.
Mas há registros mais antigos. Em recortes de 1935, já se falava em uma "peruada" dos alunos de direito, com fotos e um roteiro pelo centro de São Paulo. As primeiras menções na imprensa apontam para décadas anteriores à famosa história do professor.
Uma passeata político-carnavalesca
A Peruada surgiu em meados da década de 1930 como uma festividade restrita aos estudantes da Faculdade de Direito da USP e, com o passar dos anos, foi alcançando um amplo público universitário . Hoje, é muito mais do que uma festa: é uma manifestação.
Ao longo do tempo, o ritual foi sendo reiterado no meio acadêmico, guardando suas conotações folclóricas e satíricas e, principalmente, seu caráter político de contestação. Cada ano, os organizadores escolhem um mote, uma frase de efeito que sintetiza a crítica ao momento político do país. Já foram temas: "Meu peru Pitta e borda na máfia da propina" (1999), "De cueca e mala preta, meu peru não é picareta" (2005), "Mesmo suspeito, meu peru foi reeleito", e "Meu Peru não tá tranquilo, quer 100 anos de sigilo" (2022).
Os estudantes percorrem as ruas fantasiados atrás de um trio elétrico, saindo do Largo de São Francisco, passando pela Rua Líbero Badaró, Viaduto do Chá, Praça Patriarca, Teatro Municipal, e pelas Avenidas São João, Ipiranga e São Luís, com uma parada para pronunciamentos em frente à Prefeitura de São Paulo e na Câmara Municipal.
Política, resistência e tradição
A Peruada nunca foi apolítica. Durante dez anos, entre 1972 e 1982, a repressão da ditadura militar impediu a realização da festa.
Após a redemocratização, a passeata retornou com um caráter ainda mais politizado. Desde então, nenhum político escapa ileso. Prefeitos, presidentes, ministros do STF — todos já foram "homenageados" com fantasias, cartazes e gritos pelas ruas do centro de São Paulo.
O Rei da Peruada e o espírito franciscano
VAI VAI VAI COMEÇAR A BRINCADEIRA... TEM CERVEJA GELADA A TARDE INTEIRA... VAI VAI VAI COMEÇAR A PERUADA!!
O personagem mais importante da peruada é ele: O VITÃO, Benedito Vitor Januário dos Santos, o lendário Rei da Peruada, que há décadas puxa os estudantes pelas ruas da cidade. Ele é incansável, é o astro de todas as peruadas e sempre é o responsável por liderar a festa dos estudantes!
Conta a história que o Vitão ganhou esse apelido após os estudantes invadirem um evento com o Dom Luiz de Orleans e Bragança, "herdeiro da família real brasileira", e coroarem o Vitão o verdadeiro rei. EI EI EI O VITÃO É NOSSO REI!
A Peruada é isso: uma bagunça organizada, um protesto com confete, uma aula de direito ministrada nas ruas. É onde futuros advogados, juízes e legisladores aprendem que a lei começa na rua, e que às vezes, para defendê-la, é preciso sair em fantasia pelas Avenidas São João e Ipiranga com um peru debaixo do braço.
FICA - FESTA DE INTEGRAÇÃO DO CALOURO ACADÊMICO
FICA — A Porta de Entrada para as Arcadas
A Festa de Integração do Calouro Acadêmico abre o calendário oficial da São Francisco. Realizada em conjunto pelas duas maiores entidades da Faculdade, o Centro Acadêmico XI de Agosto e a Associação Atlética XI de Agosto, a festa é o rito de passagem para todos e todas que acabaram de chegar às Arcadas. É a calourada fraciscana.
Tradicionalmente a festa ocorre no Largo de São Francisco para recepcionar os calouros e calouras as Arcadas da melhor forma possível.
G4 - A UNIÃO DAS GIGANTES
A G4 é a festa que reúne FEA, Poli, Medicina e SanFran, as quatro faculdades que, não por acaso, são frequentemente consideradas o quarteto mais icônico da USP. A organização fica por conta dos centros acadêmicos dessas unidades: o CA XI de Agosto (Direito), o CAVC (FEA), o CAOC (Medicina) e o Grêmio Politécnico, a união dos CAs mais lendários da USP numa noite só.
O nome é simples e direto: G4. Quatro faculdades, uma festa. Sem metáforas complicadas, sem siglas elaboradas — a grandiosidade do evento fala por si.
